
Pode-se ler no
Público "Portugal tem mais de meio milhão de desempregados"
Os Cidadãos FantasmaAs estatísticas sobre o desemprego parecem um filme de mistério e ficção... Estes números (pessoas, não esquecer como alguns) aparecem e desaparecem como o Sol e a Lua... num dia estão no outro não. Para além dos problemas que já se conhecem dos centros de emprego: dificuldades no encaminhamento laboral, no encaminhamento para formação profissional, na atribuição dos subsídios, relações pouco claras entre empresas e Centros, falta de fiscalização dos encaminhamentos, das empresas participantes, sistema pouco flexível e tendencioso no seu acesso (formação não é definitivamente para todos. É principalmente para quem não tem o 12º ano escolar e acho muito bem, só falta o resto...) e etc, etc... O que me assusta verdadeiramente nestas estatísticas é a faixa etária mais atingida pelo fenómeno: entre os 25 e 34 anos. Mais uma vez volto ao assunto: a nossa faixa populacional mais activa, mais energética, mais inovadora, está ao abandono. O Estado não tem qualquer estratégia neste sentido e quando a tão falada retoma estiver em movimento, as pessoas que mais poderão ajudar na recuperação ainda estarão a lamber as feridas e a recuperar de meses de dívidas... Mas serão chamados, feridos e humilhados a dar o seu contributo à produção de riqueza nacional por tuta e meia e condições laborais deficientes. Serão chamados, mais uma vez, para começar do zero, para mais uns anos de exploração, para mais uns anos de sobrevivência. Ao ritmo a que as coisas mudam actualmente, não há pessoa que aguente sozinha... A tão falada flexibilidade deve estar nos apoios e oportunidades dados aos cidadãos quando mais necessitam ou seja, no desemprego. Sem isso estaremos sempre condicionados pelos ventos da crise interna e externa. E isto de navegar ao sabor do vento é muito bonito e romântico mas nada construtivo e produtivo, especialmente se não há um objectivo definido. As instituições e demais intervenientes têm de se adaptar à realidade, têm de ser repensadas, principalmente na formação profissional. Um cidadão sem estabilidade profissional e económica, não é um cidadão no seu pleno. Tudo o mais depende do trabalho e da qualidade de vida que este proporcionar. Se exigem flexibilidade às pessoas, então no mínimo que nos sejam dados os instrumentos necessários para o fazer. Eu (e suponho muitos outros) não tenho dinheiro para me flexibilizar, nem tenho horário que me permita sequer ter uma formação (não sem implicar ganhar menos dinheiro, de longe... não é possível...). Posto isto, cá temos o Governo a agitar a bandeira do optimismo e da retoma, mais uma vez... enquanto todos os indicadores vão piorando (mas, dizem-nos, estamos a piorar mais devagarinho que o resto da Europa... espectáculo!). É preciso não esquecer que estamos na "boa parte do ano", em termos económicos, principalmente devido ao Turismo. Mas mesmo nesta área o desemprego aumentou numa altura em que devia ter estabilizado. Se isso não é preocupante... ou um mau indicador... enfim. Um bem haja e força especiais para todos os desempregados. Liberdade Sempre.